O hemograma é, sem dúvida, o exame mais solicitado na rotina clínica veterinária. Ele é a porta de entrada para o diagnóstico de diversas doenças, desde anemias e infecções até processos neoplásicos. No entanto, a fidedignidade dos resultados depende diretamente da fase pré-analítica.
Estudos indicam que cerca de 70% dos erros laboratoriais ocorrem antes mesmo da amostra chegar ao analisador. Na medicina veterinária, onde lidamos com pacientes agitados e variações volumétricas, esse risco é ainda maior.
Neste artigo, vamos listar os 5 erros mais comuns na coleta de sangue que podem invalidar o seu hemograma e como evitá-los para garantir um diagnóstico preciso.
1. Hemólise: o vilão silencioso da hematologia
A hemólise (ruptura dos eritrócitos com liberação de hemoglobina) é a principal causa de rejeição de amostras. Na hematologia, a hemólise moderada a grave pode interferir na contagem de glóbulos vermelhos e, principalmente, nos índices hematimétricos (VCM, CHCM).

Por que acontece?
Uso de agulhas muito finas para o fluxo sanguíneo.
Aspiração muito vigorosa da seringa (vácuo excessivo).
Transferência do sangue da seringa para o tubo através da agulha (o correto é remover a agulha e a tampa do tubo).
Agitação brusca do tubo após a coleta.
Agitação brusca durante o transporte do sangue para o laboratório.
Como evitar: priorize o fluxo livre sempre que possível e manipule a amostra com extrema delicadeza.
2. Presença de micro coágulos
Um hemograma com coágulo é um exame perdido. Mesmo que o coágulo seja pequeno (micro coágulo), ele consome plaquetas e fibrina, alterando drasticamente o resultado.
Por que acontece?
Coleta muito lenta (a cascata de coagulação se inicia antes do sangue chegar até o anticoagulante).
Falta de homogeneização imediata.
Proporção incorreta de sangue para a quantidade de EDTA no tubo.
Dica de ouro: assim que o sangue entrar no tubo de EDTA, inverta-o suavemente de 8 a 10 vezes. Nunca agite!
3. Erro na proporção sangue x anticoagulante (EDTA)
O tubo de tampa roxa possui uma quantidade específica de EDTA (geralmente potássico) calculada para um volume exato de sangue.
Excesso de sangue: o anticoagulante não será suficiente, gerando micro coágulos.
Pouco sangue: O excesso de EDTA em relação ao plasma pode causar desidratação osmótica das células, provocando o crenamento dos eritrócitos e alterando o volume corpuscular médio (VCM).
Como evitar: Respeite rigorosamente a linha de marcação do fabricante no tubo de coleta.
4. Coleta inadequada
Manter o garrote por muito tempo causa estase venosa. Isso altera a pressão hidrostática e pode levar a uma hemoconcentração localizada, elevando falsamente o hematócrito e a dosagem de proteínas plasmáticas.
Além disso, coletar sangue de acessos venosos (cateteres) que estão recebendo fluido terapia pode diluir a amostra, entregando um resultado falso de anemia.
5. Armazenamento e transporte inadequados
O tempo é inimigo da morfologia celular. Após 24 horas, os leucócitos começam a degenerar, dificultando a diferenciação no esfregaço sanguíneo. Além disso, o congelamento da amostra de sangue total é um erro fatal: ele rompe todas as células, impossibilitando a leitura.
Como proceder:
Realize o esfregaço sanguíneo imediatamente após a coleta (sangue fresco).
Mantenha a amostra sob refrigeração (2°C a 8°C), mas nunca em contato direto com o gelo.
Conclusão
A qualidade do diagnóstico que você entrega ao seu cliente começa na ponta da agulha. Evitar esses 5 erros na coleta de sangue que invalidam o hemograma não apenas economiza recursos e tempo, mas garante que a conduta terapêutica seja baseada em dados reais.
Para mais dicas sobre patologia clínica e boas práticas na rotina veterinária, continue acompanhando os conteúdos da Ensina Vet.
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Erros na coleta de sangue que invalidam o hemograma – Por Ensina VET